O desenho urbano de Curitiba foi destaque na abertura da segunda edição do Italian Design Day (IDD), na manhã desta segunda-feira (12/03), no Paço Municipal. O Embaixador do Design Italiano no IDD 2018, Manolo De Giorgi, elogiou a organização da capital paranaense.
“Após ver a apresentação de Curitiba posso dizer que o design italiano é muito fraco na área pública e muito forte no design privado. Nas cidades italianas não vemos as soluções de desenho urbano apresentadas aqui”, disse De Giorgi, que é o arquiteto responsável pelo curso de Arquitetura de Interiores da Universidade Politécnica de Milão.
De Giorgi fez referência à apresentação feita pelo presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Luiz Fernando Jamur, que abriu a segunda edição do evento na cidade. Jamur traçou a linha do tempo do planejamento curitibano com destaques para a orientação dada pelo Plano Diretor de 1966. O documento se traduz na estruturação viária da cidade, no transporte público e no uso do solo, com a integração econômica e socioambiental desse conjunto.
O Cônsul-Geral da Itália em Curitiba, Rafaelle Festa, disse que não é por acaso que o Comitê Científico Italiano tenha escolhido, pela segunda vez, Curitiba como cidade modelo do Brasil. O Comitê é composto pelos Ministérios das Relações Exteriores, de Desenvolvimento Econômico, da Cultura, da Mostra Trienal de Milão e da Feira Internacional de Móveis de Milão.
A escolha novamente de Curitiba se deu pela atenção que a cidade tem com a qualidade de vida, com a cultura, especificamente, com o design urbano, inclusive demonstrado pelo reconhecimento internacional da cidade.
Design e Sustentabilidade
O tema do IDD 2018 é Design e Sustentabilidade. Ao falar do design urbano neste processo, o presidente do Ippuc, Luiz Fernando Jamur, destacou que, diferentemente do design de produto, a administração pública atua no conjunto urbano sem perder de vista os marcos legais de planejamento. “Muitas vezes as pessoas não percebem que muitos elementos da paisagem urbana são planejados para acontecer. Quando trabalhamos com a gestão urbana, o resultado pode demorar muitos anos para transparecer”, disse Jamur.
“Daí a importância do planejamento e, mais que isso, do pragmatismo à obediência ao que é concebido para que isso se configure no espaço urbano, não apenas do ponto de vista do design, mas principalmente para a qualidade de vida na cidade”, completou.
Segundo Jamur, o controle urbano é extremamente importante para a sustentabilidade das cidades. “A resposta para qualidade de vida coletiva está atrelada ao planejamento e à obediência ao que é planejado. O Ippuc, ao longo dos seus mais de 50 anos, sempre trabalhou o design da cidade tendo o habitante como referência”.
O sistema trinário de vias, configurado pelos eixos de adensamento que tomaram forma a partir da integração do uso do solo, do transporte público e do sistema viário foi um dos exemplos de desenho urbano frutos do macroplanejamento.
Da mesma forma a transformação do trecho central da Rua XV de Novembro em calçadão para pedestres, com mobiliário urbano constituído por “domus”, desenhados pelo arquiteto Abrão Assad, uma inovação curitibana. Os conjuntos dos “domus” foram também aplicados como coberturas de pontos e terminais do transporte, mais adiante substituídos por estações-tubo nos eixos estruturais e pelo conjunto de mobiliário também encomendado à empresa vencedora da licitação de mobiliário, porém com desenho exclusivo de araucárias, feito pelo arquiteto Manoel Coelho.
Padrões de sustentabilidade
No transporte público encomendas exclusivas para Curitiba também marcam a história de uma cidade que, ao longo da história, acabou por gerar produtos que viraram padrões de sustentabilidade. Assim foi com os primeiros expressos, de 1974, desenhados exclusivamente para funcionar aqui. E também com os articulados, com as jardineiras da Linha Turismo, com os biarticulados, com os ônibus que compõem a frota dos ligeirinhos, com portas à esquerda, e o híbridos movidos a eletricidade e biodiesel, sem esquecer dos táxis em cor laranja. A nova frota de ônibus, que deverá operar na cidade no final deste mês, também tem diferenciais exclusivos para Curitiba.
Os parques com função de saneamento ambiental e lazer também foram citados como exemplo. “Nossos parques foram concebidos como bacias de contenção de cheias. São ao mesmo tempo espaços de lazer com portais e equipamentos construídos com antigos postes de eucalipto da Copel. O conceito da sustentabilidade aplicado também em áreas de antigas pedreiras, antes abandonadas, e que foram recuperadas”, observou Jamur.
O presidente do Ippuc lembrou que o conceito de reciclagem com requalificação foi resgatado em Curitiba com o Expresso Solidariedade, para o atendimento à população em situação de rua e ampliado com o projeto do Centro de Referência Agricultura Urbana e Economia Criativa, a ser implantado numa área ociosa do antigo pátio de trens nas proximidades da Rodoferroviária.
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Artesanal
A programação da edição 2018 do Italian Design Day, em Curitiba, seguiu nesta segunda-feira, com a palestra do arquiteto, professor e Embaixador do Design Italiano no IDD 2018, Manolo De Giorgi, que falou dos pontos de convergência do design italiano e brasileiro e da relevância da integração da produção artesanal ao produto industrial. “Qualquer produto de design tem partes artesanais. Nenhum produto é 100% industrial”, afirmou De Giorgi.
Para De Giorgi, o ponto de encontro da Itália e Brasil no design está na cultura artesanal, o que agrega valor e faz a diferença nos produtos. De acordo com o professor, além de Itália e Brasil, o design aplicado no Japão, México, Índia, Indonésia e Marrocos também tem esse diferencial.
Fechando o evento, o designer Maycon Aram, formado pela PUCPR, apresentou a sua experiência no desenvolvimento de produtos exclusivos e na formação de uma cadeia produtiva quase que na sua totalidade em Curitiba e Região Metropolitana. Entre os produtos de Aram estão óculos com armações em madeira, produzidos artesanalmente, que lhe renderam conquistas do Prêmio Design Museu da Casa Brasileira, Salão Design e IDEA Brasil, e uma cafeteira para “espresso” sem energia elétrica.