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Infraestrutura

Curitiba passa mais uma vez pelo teste da chuva, sem alagamentos nem desabrigados

O sistema de drenagem e macrodrenagem de Curitiba passou com sucesso por mais um teste, no último fim de semana. Apesar do volume elevado de chuvas –  90.6 milímetros entre sexta-feira e domingo, mais do que a média histórica para todo o mês de agosto, que é de 73 mm, de acordo com o Simepar –, a cidade não teve áreas inundadas por transbordamento de rios e não registrou deslizamentos nem desabrigados. 

Com isso, Curitiba está há mais de um ano sem esse tipo de ocorrência, que era frequente até pouco tempo atrás. A nova realidade é resultado de um grande plano de investimentos executado pela Prefeitura nos últimos três anos, com intervenções em bacias de diversos rios e criação de novos parques que, além do lazer, são importantes elementos de contenção da água das chuvas.  

Nas bacias dos rios Pinheiro, Iguaçu/sub-bacia e Belém estão sendo construídas contenções em concreto, indutores de retardo no fluxo da água, condutos forçados e estações de bombeamento, beneficiando os bairros Hauer, Fanny, Lindóia, Parolin e Guaíra.

As intervenções foram iniciadas em 2015 e estão sendo executadas em três lotes, com investimento de R$ 121 milhões. Incluindo as obras em execução e as já executadas, a atual gestão investiu R$ 151 milhões em obras para este fim. Paralelamente, a Prefeitura faz atividades de conscientização para que a população não jogue lixo nos rios ou bueiros, o que contribui para as cheias.

No Rio Barigui há duas grandes intervenções, com investimento de aproximadamente R$ 25 milhões. Uma delas consiste em obras de perfilamento e de desassoreamento do rio em um trecho de 22 quilômetros entre a Rua Dionira Molleta Klemtz (Fazendinha) e o Rio Iguaçu (Caximba).

O perfilamento inclui o alargamento da calha, rebaixamento do fundo do rio e recomposição das margens e taludes, de forma a ampliar a capacidade de vazão da água das chuvas, contribuindo para evitar situações de alagamentos que, no passado, eram parte da rotina de muitas famílias. Nesse mesmo trecho ocorre a construção de muros de contenção, que evitam a erosão do solo à margem do rio e assoreamento.

No bairro Rebouças, embaixo da Praça Afonso Botelho, foram construídas duas piscinas com capacidade de 750 mil litros com o objetivo de reduzir a velocidade e os impactos das chuvas descarregadas no Rio Água Verde. A obra, finalizada no início deste ano, teve um investimento de R$ 150 mil.

No início deste ano, foi entregue aos moradores do Uberaba uma importante obra de macrodrenagem: a construção de muro de arrimo em gabião (muro de contenção) em uma extensão de 70 metros do rio Belém, na lateral da Avenida Canal Belém, entre as ruas Guiroku Gastão Ayabe e Pacífico Guimarães Teixeira, fundos da Escola Municipal Professora Donatilla Caron Anjos. Teve um custo de R$ 656,8 mil.

Em dezembro de 2015, a Prefeitura também finalizou a implantação de galeria celular com extensão de 20 metros no Córrego Diamantina com a Rua José Zaramella, no Boa Vista, que teve valor de R$ 259,5 mil.

Nos primeiros dois anos da atual gestão, foram executadas a implantação de calhas pré-moldadas em “U” no córrego Estribo Ahú (Boa Vista) e no Rio Bacacheri-Mirim (Tingui), muros de arrimo executados no Rio Guaíra (40 metros) – bairro Água Verde; no Córrego Areãozinho (60 metros) – bairro Jardim das Américas; e no Ribeirão dos Padilhas (160 metros) – bairros Xaxim e Pinheirinho. O custo destas ações beirou R$ 2,3 milhões.

Conscientização

Com o crescimento das cidades e a consequente impermeabilização do solo, as águas das chuvas antes absorvidas agora correm diretamente para os bueiros e chegam rapidamente aos rios, aumentando seu volume e vazão e as chances de enchentes. O secretário municipal de Meio Ambiente, Renato Lima, diz que a participação do cidadão – evitando, por exemplo, jogar lixo e objetos nos rios e nos bueiros – é fundamental para o bem-estar e proteção de todos.

“A administração municipal vem investindo fortemente em obras de drenagem nas principais bacias do município, na construção de parques na região sul da cidade, com áreas verdes para absorção e bacias de contenção, como os lagos dos parques ou piscinas como as da Praça Afonso Botelho”, explica Lima. 

A canalização de rios também é um dos motivos para alagamentos. Os canais subterrâneos originalmente tinham dimensionamento adequado para suportar vazão, mas agora, com a maior impermeabilização da região, aliada a chuvas atípicas, com forte volume de água e de intensidade rápida, os rios não conseguem suportar. É o que ocorre, por exemplo, na região do Alto da XV, com o Rio Juvevê.

Outra medida importante para a redução dos danos provocados por grandes chuvas é o trabalho organizado pela Defesa Civil de Curitiba junto às administrações regionais, por meio dos Núcleos de Proteção e Defesa Civil de Curitiba (Nupdec). Voluntários das comunidades, principalmente aquelas situadas em áreas de risco, recebem capacitação para monitorar os eventos e comunicar ocorrências para rápido atendimento.

O treinamento da comunidade pela Defesa Civil ajuda no socorro e proteção de vítimas de alagamentos. Moradores costumam vistoriar os rios e córregos locais constantemente, orientar as famílias, monitorar o acúmulo de lixo na beirada das manilhas e solicitar obra de limpeza sempre que necessário.

"Os alertas são enviados pelos grupos de WhatsApp e pelos NUPDECs, onde emitimos as informações de orientação, alertas da Defesa Civil e ainda alimentamos o Sistema de Alerta da Gestão de Risco do meio ambiente", informa o inspetor João Batista dos Santos, coordenador da Defesa Civil de Curitiba.

Parques

A ampliação do número de parques em Curitiba foi outro investimento importante da Prefeitura na atual gestão. Desde 2013, foram incorporados quase 9 milhões de metros quadrados de áreas verdes – três vezes mais que nos 20 anos anteriores.

Chuvas fortes, como as registradas neste fim de semana, impedem muita gente de ir aos parques da cidade, mas é nesses períodos que fica clara uma importante função dessas áreas verdes: além de servirem como espaço de lazer, elas atuam como reservatórios de água, que contribuem para reduzir o risco de alagamentos. Numa cidade com cada vez mais construções – que aumentam a área impermeável –, esse sistema precisa ser ampliado.

Essa é uma das razões pelas quais a Prefeitura está investindo num grande programa de conservação ambiental, que vem criando novos parques na região sul da cidade e já reduziu o perigo de inundações em áreas antes expostas a qualquer chuva mais forte.

O projeto Rio Parque de Conservação envolve a implantação de áreas de preservação e de lazer ao longo do Rio Barigui e a realocação de famílias que viviam em áreas de risco às margens do rio. Paralelamente, a Prefeitura trabalha em obras de drenagem e prevenção de cheias, que incluem o perfilamento do Barigui. Desde 2013, já foram entregues quatro novas unidades de conservação às margens do rio Barigui, na região sul: os parques Guairacá, Mané Garrincha e Mairi e a Reserva do Bugio.